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Boas notícias podem deixar governo preocupado e afetar bolso do consumidor

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Boas notícias podem deixar governo preocupado e afetar bolso do consumidor

Por Márcio de Freitas*

Há boas notícias preocupantes no horizonte para o governo Jair Bolsonaro. A demanda por produtos nacionais no mercado internacional deve continuar em alta pelos próximos meses, entrando em 2022, com a retomada econômica de países que estão conseguindo vacinar em massa suas populações. Grãos e carnes de diferentes origens estão valorizados e, por isso, mantém os patamares de preço em elevação. Assim como commodities minerais.

A preocupação é que, com a já anunciada crise hídrica, a produtividade cai no campo e a produção final será afetada – até mesmo pela limitação à irrigação em certas regiões se não houver grande volume de precipitação no final deste ano. Menos produto com maior demanda gera elevação nos preços.

Só que a inflação ao consumidor brasileiro já está chegando perto de dois dígitos, como mostrou o IPCA de 0,83% forjando um acumulado em 12 meses acima de 8% em maio, percentual que não havia sido registrado neste século. A carne do churrasco de fim semana já queimou 38% num ano de aumentos consecutivos.

Essa soma é de arrancar juros altos nas decisões do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central que cuida da saúde da moeda e tenta evitar que ela seja corroída pela inflação. A meta projetada pelo governo, na máxima, é de 5,25% e no centro do alvo é de 3,75%.

Agrava-se o fato com o problema de imagem que o país tem cultivado junto à comunidade internacional na questão de meio ambiente. Explicar agora que o baixo regime de secas não está relacionado à derrubada de árvores nativas é tão eficaz quanto senador tentar justificar tratamentos para covid-19 com receitas da virginal doutora Mia Khalifa, cujos filmes são todos exibidos na internet com tarja preta para maiores de 18 anos.

E há notícias realmente positivas na economia. O exemplo veio do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre muito melhor do que as previsões indicavam. A recuperação em V aconteceu, como projetou o ministro da Economia, Paulo Guedes. Após os dados de 1,2% nos três primeiros meses de 2021, os bancos já ajustaram suas previsões. O ritmo aponta para mais de 5% este ano. Vitória significativa do governo.

No dia de festa, a comemoração só pôde ser pela metade. O crescimento verificado no PIB projeta gasto maior de energia na produção industrial. Se houver um deslanche desse setor, não há como garantir fornecimento suficiente para manter as fábricas em atividades normais ou até em horário expandido. E se houver, o preço será mais caro, devido aos custos das termelétricas a óleo instaladas para garantir eventuais falhas no sistema de fornecimento ao país. Como há anos não há investimentos, ou os que foram feitos tiveram custos altos com baixo retorno, o país não está pronto para crescer.

O governo pode aproveitar para vender a Eletrobras sob o argumento que precisa de investir no futuro e não há dinheiro público para atender às necessidades do país. Mas o presente continua com pressão sobre a demanda. É uma conta que não fecha, fica salgada para o consumidor e resvala no dado do IPCA, porque ajuda a girar para o alto a roda da inflação, contra os planos da equipe econômica.

Somente em maio, a energia teve um peso de 5,3% no índice inflacionário. Assim como produtos associados ao transporte de mercadorias, com o óleo diesel subindo 4,6% no mês. Em um ano, a gasolina já passou a casa de 45%.

O governo, claro, pode comemorar, pelos resultados alcançados na recuperação econômica durante a pandemia de covid-19. Mas é preciso ter um diagnóstico exato para não se achar que a obra toda é toda do governo, nem todos problemas foram causados por erros da equipe de Bolsonaro. Apesar de ser antiglobalista, parte do crescimento do PIB e da inflação vieram da reação do mercado externo, notadamente da criticada China. O Brasil passa por um boom de commodities semelhante a outros pelos quais passou historicamente. E quase sempre queima seus estoques sem se preparar para a próxima onda ou criar uma maior variedade de produtos da pauta de exportações.

Nem é adequado neste momento falar em voo de galinha, para comparar o crescimento atual da economia. Até porque as nossas aves também estão sendo exportadas, como outros itens da nossa longa lista agropecuária.

*Márcio de Freitas é analista político da FSB Comunicação

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